Nossa Repetidora


Para atender nossas necessidades de comunicação, objetivando a segurança em nossas atividades, nosso Grêmio solicitou a Anatel, a concessão de duas repetidoras de VHF operando na freqüência de radioamador.
As freqüências concedidas foram: 147.270 MHz para a cidade de Nova Friburgo pico da Caledônia e 147.300 MHz para a cidade de Resende pico das Agulhas Negras Para muitos, uma estação repetidora é uma incógnita. Nestes artigos, vamos mostrar como e o funcionamento de um repetidor, as características especiais que uma repetidora deverá ter em função das necessidades de funcionamento e da própria legislação vigente.
Para explicar o funcionamento de uma repetidora vamos usar como exemplo nossa repetidora de Itatiaia instalada no Pico das Agulhas Negras. Basicamente, um repetidor é constituído de: Receptor, Transmissor, Placa de COR, Placa de identificação, Placa de Bip, Placa de controle, Duplexadores, Antena, Cabos de antena.

Antena

O RECEPTOR DA REPETIDORA

O receptor será sintonizado na freqüência de entrada da repetidora, ou seja, 147.900 MHz, com a função de receber o sinal a ser retransmitido. Esta e sua função básica, no entanto este sinal
terá de chegar à repetidora com certa intensidade, caso contrario ele não será retransmitido.

O TRANSMISSOR DA REPETIDORA

A freqüência do transmissor será diferente, sintonizado na freqüência de saída da repetidora, ou seja, 147.300 MHz. Basicamente a função de um Repetidor e receber um sinal na freqüência de 147.900 MHz, e retransmitir o mesmo sinal na freqüência 147.300 MHz.
Esta diferença de 600 Ks entre as freqüências é chamada de Off set e serve para eliminar interferência. Quando você estiver usando à repetidora o seu transceptor ira proceder de forma
inversa, ou seja, seu receptor estará sintonizado em 147.300 MHz recebendo o sinal de transmissão da repetidora e o seu transmissor estará sintonizado em 147.900 MHz transmitindo o sinal do seu
rádio.

PLACA DE COR

O C.O.R. é um circuito que fica sempre em espera, verificando se há alguém acionando o repetidor, ou seja, se há um sinal presente no receptor. No momento em que ele é detectado, o C.O.R. aciona imediatamente o transmissor, fazendo com que o áudio presente no receptor seja retransmitindo.
O C.O.R. é ainda responsável por outras tarefas. Uma delas é impedir que o QSO exceda a um tempo determinado que e fixado pelo mantenedor da repetidora. Caso o comunicado ultrapasse este tempo que e medido em minutos, o C.O.R. tira à repetidora do ar, retornando apenas quando o interlocutor parar de transmitir.
Esta e a razão de quando operamos em VHF via repetidora temos que constantemente acionar o interruptor de nosso microfone, ou seja, solta e aperta de novo para continuar falar. Este procedimento zera o tempo do C.O. R impedindo que a repetidora saia do ar.
Outras funções do C.O.R. é deixar o transmissor no ar ainda por 5 segundos quando o operador parar de transmitir. Neste intervalo geralmente é incluído um BIP, indicando, sonoramente, que o radioamador parou de transmitir.

PLACA DE IDENTIFICAÇÃO

Todos os repetidores são obrigados por Lei ter um sistema de identificação.
Muitos repetidores fazem uso de um identificador em Código Morse. As placas mais antigas, usadas para esta finalidade, tinham em seu circuito uma matriz de diodos, com a qual se programava o indicativo da repetidora usando o código morse.
Além de tamanho avantajado, estas placas só permitiam que se programasse o indicativo da repetidora, deixando de lado outras informações, tais como, localização, o nome da entidade mantedora, etc.
A placa de identificação usada em nossas repetidoras é das mais modernas do mercado, são da marca ELEKTRA 2000, com 35 funções diferentes, possibilitando o comando remoto a distancia pelo sistema de DTMF.
Podemos usar os comandos para ligar e desligar a repetidora, alterar a potencia do transmissor, fazer gravação de mensagem, acionar o sistema de bateria, alem de sermos informados na falta de energia.
O sistema de identificação de nossa repetidora e feita por voz, onde informamos que a repetidora pertence Ao Grêmio de Radioamadores e Escoteiros do Estado do Rio de Janeiro.
Instalada no pico das Agulhas Negras em Itatiaia, que tem seu indicativo de identificação PY 1 GRE, o que e feito a cada 10 minutos, usando um temporizador.
Nossa placa possui uma memória EPROM, onde pode ser gravados os sinais telegráficos ou de voz. Com a vinda dessas novas placas, pode-se gravar o que não podia ser feito com a placa de matriz de diodos. Para que se possam gravar os dados na EPROM, é necessário que se faça uso de um gravador de EPROM, ou um computador com esse acessório.
Esta gravação e feita pelo fabricante que fornece em seu manual os códigos de acesso das funções da placa.
Basicamente a placa identificadora da repetidora é constituída de uma memória não volátil,acionada por código que,através de um microfone com tecla de DTMF pode programar suas varias funções.

O BIP

Está placa é responsável por um tom de freqüência de áudio,que indica ao operador que seu sinal de radio acionou o receptor do repetidor e que esta pronto para ser transmitido.
Para manter a comunicação será necessário que o operador a cada 10 segundos aproximadamente acione o PTT.
Esta ação fará com que o tempo de fala da repetidora não seja esgotado evitando que ela seja desligada.
Está placa é constituída de dois temporizadores. Um é responsável pelo tempo de entrada do BIP, e o outro pelo “tamanho” do BIP. A placa possui ainda, um oscilador de áudio, que gera o próprio BIP.
Nossa placa possui em sua memória vários tipos de tom que pode ser escolhido a vontade pelo mantenedor

PLACA DE CONTROLE

Todas as repetidoras deverão ter um sistema que possibilite o seu comando remotamente.
Em nossa repetidora podemos entre outras funções ligar e desligar remotamente nosso equipamento.
Esta placa possui um decodificador DTMF (Dual Tone Mult-Frequencial) que é o componente principal desta placa. Este decodificador identifica o código de desligamento do repetidor e faz o procedimento.
Esta placa pode ser usada em outras funções codificadas.

O DUPLEXADOR

Quem já transmitiu para uma repetidora, e tentou escutar o retorno da mesma com outro rádio, certamente notou que a sua transmissão dessensibiliza o receptor usado para monitoração.
Nas repetidoras acontece o mesmo, ou seja, a sensibilidade do receptor fica altamente prejudicada.
Para que esse problema seja resolvido, as repetidoras fazem uso de filtros especiais, que são os duplexadores. Os duplexadores são requisitos necessários para o bom funcionamento das estações repetidoras. Os duplexadores são constituídos de cavidades ressonantes que, quando colocadas na recepção, atenuam praticamente a zero as interferências próximas, incluindo as do transmissor. Quando colocadas no transmissor, as cavidades atenuam os harmônicos gerados pelo transmissor, deixando passar apenas a freqüência desejada.
Existem vários tipos de duplexadores. Entre eles destacam-se os filtros de banda passante, os de banda rejeitante e os de banda passante/rejeitante. Estes últimos são os mais adequados para uso em repetidoras, pelo trabalho superior que os mesmo proporcionam.

A CONSTRUÇÃO DOS DUPLEXADORES

Basicamente, cada cavidade (em geral são usadas seis num sistema repetidor) é constituída externamente de um tubo com 55 cm de altura por 13 cm de diâmetro. Internamente possui um pistão ajustável por um parafuso de acesso externo. Internamente, o sistema possui ainda, dois elos, ou links, conectados externamente, cada um, a um conector tipo UHF. Esses “canecos” são feitos de
material apropriado, que não dilatam com a variação da temperatura ambiente, mantendo a estabilidade do sistema. As dimensões indicadas acima são para VHF.
No conjunto de cavidades, três são usados em recepção e três em transmissão. Para um ajuste preciso das cavidades é necessário o uso de um gerador de radiofreqüência calibrado, e de um analisador de espectro de radiofreqüência. Estes equipamentos permitem que se veja a curva de resposta dos filtros, possibilitando um ajuste fino.
Uma outra vantagem no uso de duplexadores, é que os mesmos permitem que se use apenas uma antena, e um único cabo coaxial, tanto para recepção quanto para transmissão. Isso faz com que o diagrama de irradiação de uma antena seja igual, tanto para transmissão quanto na recepção.

ANTENAS

As repetidoras podem funcionar somente com uma antena, no entanto temos situações que somos obrigados a instalar duas antenas, sendo uma para Recepção e outra para transmissão para proporcionar melhor sinal.
As antenas que usamos em nossa repetidoras são da marca Electril modelo Brasília 2 que nos da um ganho de sinal de ordem de 4 Dbs.
Sua fabricação e de boa qualidade podendo resistir ventos até 160Km.
Os cabos de ligação das antenas são coaxiais com cerca de 15 mm de diâmetro aproximadamente com conectores especiais.

CABOS DE ANTENA

A conexão entre a repetidora cavidades e antenas são feitas por cabos chamados de coaxias.
Estes cabos são de aproximadamente 13 mm de diametro,coberto de borracha com uma blindagem interna de malha de cobre,tendo um isolador de plástico que evita que o fio vivo entre em curto com a malha.
Na realidade temos vários tipos de cabo que são usados em serviços especiais de telecomunicação como micro onda sinal de Tv etc.
Um dos fatores que devemos tomar em consideração na escolha do cabo e a potencia do transmissor que devera ser compatível com a carga que o cabo poderá suportar.

COMO USAR UMA REPETIDORA

Inicialmente você terá de estar familiarizado com seu equipamento nas funções operacionais.
Esta tarefa não será difícil, no entanto você terá de ter alguns cuidados.
Vamos considerar que você esteja operando um rádio portátil à bateria com pouca potencia, (aproximadamente entre 3 e 8 Wats.), usando uma antena pequena de borracha.
Para operar nestas condições seu equipamento terá de acionar uma repetidora que esteja chegando a seu rádio com um sinal favorável, caso contraria a comunicação não será possível.

ACIONANDO A REPETIDOR

Por estar instaladas no alto de uma serra, a repetidora tem uma cobertura de sinal maior, permitido comunicação à longa distancia.
Nossa repetidora de Itatiaia a mais alta de nosso estado, transmitindo na freqüência de 147.300 MHz retransmite seu sinal para vários municípios dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Esta e a razão porque montamos nosso sistema de radio em VHF com sistema de repetidora, pois podemos usar em nossas atividades equipamentos leves, de pouca potencia, com baixo consumo de energia, usando até bateria.
Vamos supor que nossa repetidora de Itatiaia esta sendo bem ouvida em seu equipamento.
Esta recepção não garante a você que seu sinal será retransmitido pela repetidora.
Quando o sinal chega à repetidora a ponto de ser retransmitido, será emitido um bip, que será o indicador que seu sinal esta sendo transferido através da repetidora.
Nestas condições você pode falar a vontade. Após ouvir ó Bip você não der inicio ao seu comunicado, em curto prazo de tempo à repetidora desligara automaticamente.
Já tivemos situações onde acionamos a repetidora e, no entanto nosso áudio estava baixo não sendo possível retransmitir o sinal.
Costumamos falar que o colega esta atracando à repetidora, e, no entanto não este transferido o sinal.
Para usarmos a repetidora quando ela esta ocupada por outros radioamadores não e complicado, basta usarmos os procedimentos operacional.

ANTENA EXTERNA

Se você tem condições de usar antena externa, ótimo, fica mais fácil sua conexão.
A substituição de antenas oferece maior ganho, maior direcionalidade, lembrando que você terá de estar em lugar aberto.
Antes de ligar a antena a seu equipamento verifique se ela esta ajustada, caso contrario seu equipamento pode queimar.

OUTRAS INFORMAÇÕES

Tenha cuidados com a bateria de seu equipamento, e importante que tenha em mãos outra de reserva.
Procure saber sua voltagem, caso seja de 12 Vots você poderá usar a bateria de carro.
Lembra-se que comunicados feitos por muito tempo,servem para descarregar sua bateria, caso seu sinal seja bom, reduza a potencia de seu radio para economizar energia.
Em nosso estado não temos somente as repetidoras do GRÉMIO DE RADIOAMADORES E ESCOTEIROS DO ESTADOP DO RIO DE JANEIRO, temos também varias repetidoras em funcionamento de diversas entidades mantenedoras, entre elas a LABRE- Liga Brasileira de Radio Amadores, que esta a sua disposição,bastando você estando devidamente habilitado.
Tenha consciência que sua habilitação e valida em todo território nacional, logo, você poderá em viagem para outros estados usar plenamente todo o sistema.
O sistema de ECHOLINK será instalado em breve em uma de nossas repetidoras, este sistema ira proporcionar contatos para qualquer parte do mundo via internet,em conexão com o rádio.

CONCLUSÃO

Apresentamos para vocês o funcionamento básico do sistema de repetidora, que será usado pelo GREMIO DE RADIOAMADORES E ESCOTEIROS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO como nosso sistema de radio.
Informamos que nossas repetidoras estão abrangendo vários municípios dos estado de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, esperamos que em breve possa mos ter uma participação dos
grupos dos estados visinhos,que para nos será muito gratificante,pois estaremos fazendo uma integração de nosso movimento.

GREMIO DE RADIOAMADORES E ESCOTEIROS DO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Flavio Campello Ribeiro – PY 1 NDK
Presidente